O que posso encontrar no blog?

Aquilo que quiser. De opiniões a textos fofos, é como um grande bloco de anotações bagunçado. Existem os marcadores para te ajudar a encontrar os textos que prefere, mas não é muito organizado. Você pode ver todo tipo de tema, com vários estilos de escrita - varia um pouco de como minha mente está funcionando no momento. Enfim, boa leitura e aproveite os posts.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Havia algo no céu


Havia algo no céu que me atraía. Mas não apenas atraía meus olhos, agora fixos na maior de todas as estrelas vistas da Terra, Vênus. Havia algo nele que atraía minha alma. Todas as noites, eu me deitava no jardim de casa, e ficava observando as estrelas imóveis e brilhantes, como pequenos pontinhos de esperança.
Eram mais bonitas que o sol. Dava para vê-las perfeitamente; sem machucar os olhos, e pareciam ser ainda mais especiais por se destacarem em um céu mais escuro, trabalhando juntas para iluminá-lo. Aquilo era bonito; era uma força além da compreensão do homem.
Havia algo no céu. E não estou falando do velho mito céu-inferno. Acho que, se algum lugar fosse o paraíso, seria ele dentro de nós mesmos. O paraíso seria morrer sem estar magoado, sem ter deixado nada pra trás, sem ter se arrependido seriamente. O inferno seria morrer incompleto, infeliz. Era lamentar não ter aproveitado a vida. Os dois eram o mesmo lugar, mas um estado de espírito diferente.
Como a Lua, que estava sempre mudando sua forma, ora brilhante e bonita, ora sem brilho, sozinha. Às vezes, pela metade, às vezes sumindo e às vezes recobrando a força. A Lua podia representar o espírito do ser humano em suas diferentes fases, ou ser apenas um astro.
Havia algo no céu que realmente atraía a minha alma. Tudo no céu era uma metáfora; o brilho esperançoso das estrelas, mesmo no escuro vazio do céu. As mudanças da Lua, as nuvens que às vezes cobriam tudo. E a poluição, que cada vez mais nos impedia de vê-los, de entendê-los, de descobrir seus significados ocultos.
Havia algo no céu que deveria atrair à todos. Era tudo bonito, ou triste, tudo passava uma sensação. A paz crescia, nada mais importava. Não havia problemas enquanto as estrelas pudessem brilhar, mesmo no vazio e imensidão escura em que viviam. Não havia solidão enquanto todas brilhassem juntas, como uma só, mesmo longe umas das outras.
Perdido em pensamentos, no céu e em mim mesmo, acabei adormecendo ali, no jardim, feliz.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Negra como a noite


Talvez vocês não saibam – e provavelmente não se importam – mas o meu nome é Leila. Leila é árabe, e significa “negra como a noite” ou apenas “noite”.
Por algum motivo, hoje parei para pensar nisso.
O que eu tenho a ver com a noite?
Acho que a principal característica da noite, assim que você para pra pensar nela, é a escuridão. De dia, o sol ilumina e tudo está “claro”. À noite, ele some, aparecendo do outro lado do mundo e nos deixando com alguns substitutos, estrelas e muitas vezes a lua.
Mas isso nem sempre é ruim.
A noite não é aquilo que você pode perceber olhando. Você nunca vai conseguir sobreviver na noite com seus olhos. Não; você precisa sentir, ouvir, entender. Os barulhos que os grilos fazem... A brisa mais suave... Nada disso você vê. Mas quando sente, ouve, tudo se torna claro, e tão confortável...
De dia, apenas o sol se responsabiliza por iluminar. A completa visão de tudo. Um único astro, brilhando e perfeitamente visível.
A noite não tem astros tão visíveis. Mas ela tem muitos astros. Eles, sozinhos, não são nada – são uma estrela, parada e quieta – mas juntos, formam um belo céu.
Um céu que ilumina quando você se acostuma. Um céu que, mesmo te permitindo enxergar um pouco, te leva a perceber as sensações e os sentimentos. É mais interior, mais difícil de entender, precisa de mais cuidado e precisa de mais atenção.
Talvez a noite, no fundo, não seja reparada, por não ter a luz do “sol”. Mas o seu trunfo é o de ter várias outras qualidades, estrelas brilhantes na escuridão, e por isso não atrai muita gente.
Mas sabe que, os que atrai, são aqueles que gostam do que sentem.
É, meu nome significa noite. E acho que tem muito a ver comigo.
Eu sou a noite.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Retrospectiva

Aposto que você está lendo esse texto. É um orgulho para mim. Quando você lê, vê ou ouve alguma coisa, particularmente coisas artísticas (pinturas, músicas, livros, dança, etc.) leva apenas alguns minutos para ver ou ler (se for um texto curto, como este), enquanto os artistas, coitados, tiveram horas de trabalho para fazê-los. Ele surgiu de uma ideia, e as ideias são muito pequenas.
São como árvores. Você tem uma ideia, minúscula e mal formada como uma semente. Você tem que plantar, regar por um longo tempo até começar a crescer. E só quando estiver realmente grande (do tamanho de uma árvore adulta) ela estará formada para começa a escrevê-la. E então você ainda tem que esperar para conseguir colher frutos.
Não é fácil. A criação de uma ideia (para um texto) pode ser mais rápida do que a de uma árvore; esta, no entanto, é muito mais simples.
Dedicar-se. Como é difícil passar tanto tempo apenas alimentando uma ideia para fazer um livro ou pintura! Por que fazemos isso? Pelo menos nesse país, o dinheiro para artistas só chega aos famosos. Eles ficam ricos, com certeza. Mas os outros ralam por tão pouco!
O que realmente os leva não é o desejo de ser famoso, rico, como alguns. É amor pelo que faz, puro e simples. Você pode não ter dinheiro sendo um ator ou pintor, mas está realizado. É ainda melhor do que assistir à peça ou ler ao livro.
É ser ele. Eu mesma não gosto de muitas coisas que escrevi. Paciência, existem outras coisas em mim que eu não gosto. E não posso apagar.
Muitas vezes decoro meus textos sem voltar a lê-los. Claro, também sei minha personalidade de cor. Sou teimosa, decidida, irritante, infantil às vezes, e diferente por natureza. Entre várias outras coisas.
Enfim, nem me lembro de onde comecei. Talvez esse texto não faz sentido.
É só uma retrospectiva de ideias.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Folhas avulsas

Folhas avulsas se espalham pela casa. A janela aberta e a porta fechada. Um horizonte pela janela e mil caminhos na estrada.
Um vento que passa, espalha papéis. A bagunça tão óbvia mais ressaltada.
A folha escolhida por um suspiro de vento, guiada pela janela, seguindo um caminho, uma paisagem abstrata.
A folha está em branco, e diante de seu caminho assume um desenho colorido.
E a vida segue: folha por folha, separadas e unidas pelo mesmo quarto, passando por vários e apagando detalhes.
Folhas avulsas formam livros.
Memórias avulsas formam vidas.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Educação: Parem Já!

Calma. Não quero causar uma crise de analfabetos sem aprendizado. Talvez o título não esteja bom: não quero que parem as escolas, e sim que parem o modo como elas agem.
Pelo menos algumas. A China é mundialmente reconhecida por ter ótimas escolas. Eu já vi como funcionam e achei uma droga. Está tudo errado: incentivam o aluno a tirar 10, ou seja, a decorar fórmulas e contas. O ideal seria incentivar o aluno a pensar, com questões reflexivas e de opinião. Na China, tudo está censurado: a internet, opiniões contrárias ao governo, tudo para ter uma geração de pessoas que sabem de tudo. Muito bem decorado.
E diante de algo novo? E se a memória falha? Mais importante que decorar as regras é saber por que se deve fazer desse jeito. A censura à páginas na internet e à jornais contrários ao governo deveria ser crime: como as pessoas aprenderão a pensar como indivíduos se, desde pequenas, são criadas para agirem como máquinas em seu trabalho?
Trabalhamos pra viver, não vivemos para trabalhar. E em países que vivem nesse esquema trabalhamos todo o dia, com o objetivo de tirar 10 e decorar tudo.
De que adianta? Uma hora vamos morrer. E não queremos morrer se não tivemos nem uma vida decente. Não adianta decorar: o bom é saber pensar, o bom é saber discutir, ter sua opinião, porque isso forma nossa personalidade, isso forma quem somos. E saber quem você é e como você pensa é fundamental para pensar. E pensar é fundamental para se dar bem na vida, inclusive em seu emprego.
Algum dia, os seres humanos se transformarão em máquinas se continuarem assim. Mas esqueceram-se de que nós não temos chips de memória: temos cérebros. E cérebros têm memória falha, ao contrário dos chips. Por isso, não adianta tentar se transformar em um chip humano: devemos usar a parte humana do cérebro, a do pensamento, para crescer e continuar.
Pena que os chineses não lerão isso, pois o governo deve estar bloqueando a minha página nesse exato momento.