O que posso encontrar no blog?

Aquilo que quiser. De opiniões a textos fofos, é como um grande bloco de anotações bagunçado. Existem os marcadores para te ajudar a encontrar os textos que prefere, mas não é muito organizado. Você pode ver todo tipo de tema, com vários estilos de escrita - varia um pouco de como minha mente está funcionando no momento. Enfim, boa leitura e aproveite os posts.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Era só uma lágrima

Era só uma viagem. Uma idéia que surgira do nada. Era nosso passatempo. Estávamos para nos casar, e afinal havíamos nos conhecido durante o alpinismo. Nada melhor do que comemorar o casamento com ele.
Era só uma cachoeira. Uma cachoeira bonita, cujas águas caíam, lindas e transparentes, brilhando como prata, brilhando como uma esperança de uma vida feliz. Uma escalada pela cachoeira.
Era só uma pedra solta. Uma pedra forte, grande o bastante para que se colocasse o pé, que dava a impressão da segurança; mas irremediavelmente solta. Uma pedra colocada ali como se fosse um teste. Um momento de desatenção. Não estávamos conversando? Algum assunto banal, que com certeza não valeu a pena, surgida logo que ele colocou o pé descuidadamente sobre a pedra.
Era só um erro, mas foi uma esperança perdida. Foi uma queda grande, comprida, batendo nas pedras e sendo batido pela água. Uma mão que não foi segurada, uma queda que não foi poupada, uma pedra que não estava presa, uma água que caía como o desespero.
Eu gritei. Eu gritei como se palavras pudessem trazê-lo de volta. Eu gritei como se fosse de alguma ajuda. Eu gritei como se não pudesse fazer nada para ajudá-lo, não pudesse segurar em nada, não pudesse impedir a queda horrível e a morte certa, o sangue que ficava nas pedras e era lavado pela água já não tão límpida.
Eu não podia. Por isso, eu gritei.
Era só uma lágrima. Uma lágrima que escorria pelo meu rosto, e caía se misturando à muitas outras gotas de água exatamente iguais, correndo umas sobre as outras na direção do vazio. Uma lágrima que caía como as minhas esperanças, e agora percorreria infinitamente um rio, tão vasto, profundo e simples como a minha tristeza.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preconceito: Opinião Sem Conhecimento

Segundo o dicionário, preconceito é “Suspeita, intolerância, ódio irracional ou aversão a outras raças, credos, religiões, etc.”. Mas ele é mais que isso. Preconceito é uma loucura dirigida às pessoas consideradas “diferentes” que as põem em risco. Ele, por si só, é um tipo de violência: uma barreira entre pessoas, que machuca só por estar lá.
Às vezes essa dor pode tornar-se real, como no caso das “gangues” espalhadas pelas ruas Paulista e Augusta, nas quais encontram-se jovens nazistas entre 16 e 28 anos. Quando eles passam por gays ou negros que saem de bares, cumprem o “ritual” de espancá-los. Algumas vezes, isso leva à morte.
Por que esses homens tão jovens teriam sempre alvos como gays e negros além do preconceito, a idéia louca de que estaríamos em um mundo melhor se fossemos todos exatamente iguais? Enquanto, na verdade, estão acabando com a igualdade: igualdade social.
Estima-se que 260 homossexuais (gays, lésbicas e travestis) foram assassinados em 2010. No entanto, não existe estatística oficial e esses números não devem ser nem metade do número real. Todas as mortes foram violentas: tiros, facadas, espancamento, apedrejamento, asfixia e enforcamento.
O preconceito pode ser vivido muito cedo: nas escolas, um fenômeno crescente é o bullying, que é intimidar alguém mais fraco ou deslocado, na sala de aula ou fora dela. Uma das vítimas desse caso é Ana Cláudia, que foi espancada por outra aluna após queixar-se de bullying à diretoria. A escola não fez nada: não forneceu o nome da autora do espancamento à aluna, afirmando ser imoral.
Mas também não seria imoral não fazer nada estando frente a frente com a violência causada por uma palavra?
Diferença.